ESCREVER É...
MINHA ALMA SENDO EXPRESSADA COM PALAVRAS RIMADAS OU NÃO.
SÃO AS PALAVRAS ABRINDO CAMINHO PARA ALMA EXPRESSAR QUE TEM SENTIMENTO E RAZÃO

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terça-feira, 3 de junho de 2014

Até que a morte nos separe



Foi numa manhã fria, dos primeiros dias do mês de Junho, que percebi  o quanto eu o amo. Acordei um pouco preguiçosa, depois de uma noite muito bem dormida, e tão logo pude senti-lo...
Tão meu!
Puxei a coberta nos aquecendo de forma convidativa a permanecer ali por um pouco mais de tempo, entre a proteção e o conforto. 
Agradecida por mais um dia, agradeci também a "ele" por permanecer comigo em todos os momentos, os bons, os ruins, e os monótonos.
Foi assim que comecei a perceber um sentimento novo e muito agradável.
Talvez, com a certeza da  presença constante, sempre "o" tratei com uma atenção básica, voltada mais as minhas necessidades e vaidades.
 Parecia-me tão normal tê-lo que nunca prestei atenção no quanto o ignorava, valorizando muito mais o meu ego, buscando ser amada, reconhecida, buscando por muitas vezes olhares sinceros, e não percebia que isso somente "ele"  é que poderia me dar com a perfeição.
Terminava ali qualquer busca...
Célula por célula...Uma vida, me proporcionando os meios para cumprir meus propósitos, e eu sempre preocupada em cuidar para continuar apenas "usando", certa de que estava sabendo como usá-lo. Certa de que fazia o meu melhor por "ele".
Não sabia o que era me apaixonar de verdade.
Pensava que conhecia tudo sobre o  amor, e percebi que não era verdade, até o momento que entendi que ele sempre esteve junto a mim e não estava amando-o, não o reconhecia suficientemente, não era grata o bastante.
Sinto algo maravilhoso pelos meus pais, pela minha filha, família e amigos, e por alguns que nem permanece mais na minha vida, e chamo este sentimento de amor, mas o que descobri nesta manhã fria, é único.Não posso explicar, pois não haveria palavras.  
Demorei tanto para entender o significado do verdadeiro amor, simplesmente porque acreditava que deveria sentir pelo próximo, enquanto a mim respeitava acreditando ser amor. 
Tão meu, tão eu!
Meu corpo e suas funções, cheio de dores e prazeres.
Minha alma e seus propósitos, realizando-se com altivez e confiança.
Pele pouco hidratada, visão não é boa como antes... Vitalidade se acabando.
Meu amado corpo que tantos anos me serve, se contentando com o pouco que de mim recebe.
Minha alma dentro dele vibra feito criança mimada, querendo muito mais do que ele poderia me dar, e mesmo assim, continua se esforçando.
Olho para minhas mão e penso o quanto fui ingrata por cuidar para que permanecessem belas e pouco valor dei ao que elas produziram.
Escrevi, bordei, cozinhei, cuidei da família, entre tantas outras coisas importantes, e fiquei aborrecida todas as vezes que senti que meu trabalho não agradou. Pensei apenas em mim, no meu orgulho ferido, me esquecendo do quanto minhas mãos podem continuar a fazer, apenas porque ama.
Passei as mãos pelas minhas pernas e pés, massageando-os para aliviar as dores, e entendi que eles na verdade estão apenas pedindo para serem um pouco mais poupados, pois por mais longe que eu pretendia caminhar, eles não são mais fortes e velozes o bastante, porém, mesmo caminhando lentamente, continuam a me manter de pé.
O meu sorriso, que hoje não sorri com tanta facilidade, não tem mais a ingenuidade das gargalhadas, continuam brotando nos lábios expressando o que carrego na alma.
Minha voz alta que incomoda, minha mente dispersa que faz esquecer coisas importantes, minhas memórias que se ascendem feito tela de cinema...
Tudo tão meu! Tudo tão eu!
Olhei nos meus olhos, enquanto penteava os cabelos desalinhados e sorri!
Vocês,que sou eu, corpo e alma.
Eu estou neste corpo que me recebe com e por amor.
Eu recebi este corpo e somente hoje é que reconheço que apenas através dele é que tenho a oportunidade de experimentar esta vida.
Meu corpo é que me permitiu sentir o que  deixaras lágrimas rolarem, sendo elas de alegria, tristeza, dor, ou até mesmo quando me senti realizada.
Foi através deste corpo que pude sentir o medo que muitas vezes me paralisou, quando o ódio se fez presente, ainda assim se encheu de coragem e virou o jogo.
É através do meu corpo que elevo os meus pensamentos, buscando a força divina, que acalmo o coração, busco na fé a coragem,  transformo em perdão tudo aquilo que desaprovo, deixando aqui nesta vida, um bom testemunho.
Meu corpo sorri e contagia todos que estão a minha volta quando a minha alma também está sorrindo.  
Mesmo  quando está desanimado, meu corpo conclui dia após dia, para satisfazer a minha alma, e ela simplesmente dança!
Olhei nos meus olhos através do espelho e agradeci!
Respirei... Senti meu corpo... 
Entendi que apenas Eu estava ali, e que apenas Eu permaneceria ali até o fim.
Tão meu! Tão eu! 
Eu!
Meu corpo e a minha alma.
Uma união perfeita!
Um encontro que somente na solidão é que pode acontecer.
Não é uma solidão triste... É apenas o barulho que cessa, é a confusão que se aquieta.
É a aliança preparada por Deus.
Foi o nascimento que nos uniu.
O casamento perfeito entre a alma e o corpo.
Os nossos filhos, serão as nossas obras.
Um união que acontece num momento qualquer, num pequeno lugar solto no infinito...
Um corpo que veio do pó, uma alma que vêm da essência divina. Uma junção que aqui ganhou uma identidade..
Esta identidade simboliza a aliança, entre o que sou eternamente e cada célula que me aceitou, mesmo que por um período tão curto.
Apenas nesta vida, com este corpo me chamo Mara.
Encontrei neste relacionamento o amor incondicional
Certamente me lembrarei com gratidão, por toda a eternidade deste amor que só a morte pode nos separar!

Mara Mello

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